O Barclays não é apenas um banco. É uma máquina. Um com raízes que remontam aos ourives do final do século XVII. A instituição entrou formalmente em cena em 1896. Começou na Inglaterra. Agora ele sai de Canary Wharf, em Londres. O escopo é enorme. Banco de varejo. Investimento. Gestão de patrimônio. Empréstimo. A marca é conhecida mundialmente.

Como o Barclays organiza as suas operações globais

A estrutura do banco mudou no início de 2024. O objetivo era simplificar as coisas. Melhorar. Mais equilibrado. O banco se dividiu em cinco grupos distintos.

O Barclays UK cuida do cliente diário. Contas. Cartões de crédito. Empréstimo. É a cara do banco para os consumidores individuais na Grã-Bretanha.

Depois, há o lado corporativo. O Barclays UK Corporate Bank atende clientes empresariais. Ele fornece gerenciamento de liquidez. Empréstimos. Ofertas especializadas para empresas maiores.

Barclays Private Bank and Wealth Management tem como alvo um grupo demográfico diferente. Consultores financeiros. Investidores de alto patrimônio líquido. Eles obtêm serviços bancários privados. Apoio à filantropia. Empréstimo personalizado.

O Barclays Investment Bank é o grande lançador para clientes internacionais. Pesquisar. Consultivo. Financiar. Gestão de riscos. Opera além-fronteiras.

Por fim, o Barclays US Consumer Bank mantém a operação americana funcionando. É focado no varejo. Cartões de crédito. Empréstimos. Poupança. Atende diretamente clientes dos Estados Unidos.

As primeiras fusões que construíram um império

O Barclays não apareceu simplesmente. Foi formado pela fusão de vários bancos privados. Barclay, Bevan, Tritton. Ransom, Bouverie & Co. Gurney & Co. Todos eles vieram juntos. A entidade registrada como Barclay & Co.

O nome mudou para Barclays Bank Ltd. em 1917. Mas o crescimento começou mais cedo. Nos seus primeiros vinte anos, o Barclays comprou 17 bancos privados em Inglaterra. Isso é uma expansão agressiva.

Em 1918, a fusão com o London, Provincial e South Western Bank empurrou o Barclays para os “cinco grandes” do mercado do Reino Unido. Isso consolidou seu status.

O impulso internacional começou com a fusão de 1925. Banco Colonial. Banco Anglo Egípcio. Banco Nacional da África do Sul. Eles se combinaram para formar o Barclays Bank (Dominion, Colonial and Overseas). O nome foi encurtado para Barclays Bank DCO em 1954. Mais tarde, tornou-se Barclay Bank International Ltd. em 1971. A presença global estava a tomar forma.

Inovação e Cruzando o Atlântico

No final da década de 1950, o Barclays era o maior banco da Grã-Bretanha. Foi também o mais inovador.

Os computadores entraram no edifício em 1959. O Barclays foi a primeira empresa financeira britânica a utilizar um computador numa agência. Isso foi cedo.

Seguiram-se os cartões de crédito. O Barclaycard foi lançado em 1966. Trouxe pagamentos com cartão para o mercado do Reino Unido.

Então veio a mudança de hardware. Em 1967, o Barclays instalou o primeiro caixa eletrônico do mundo. Ou caixa eletrônico. Aconteceu em Londres. O mundo assistiu.

A entrada dos EUA foi mais lenta. Mas aconteceu. O Barclays Bank of California foi inaugurado em 1965. O Barclays Bank of New York chegou em 1971. O banco estabeleceu presença em ambas as costas dos EUA.

Décadas de 1980 e 90: Expansão e Recuo

A década de 1980 trouxe mudanças estruturais. O Barclays passou de banco por ações a sociedade anônima em 1981. Em 1985, tornou-se uma holding. Todos os ativos foram transferidos para uma subsidiária operacional.

As aquisições continuaram chegando. Em 1979, o Barclays comprou a American Credit Corporation. Ela foi renomeada como Barclays American Corporation. Esta subsidiária impulsionou uma expansão significativa no sector financeiro ao consumo dos EUA durante o início da década de 1980.

O negócio de cheques de viagem da Visa juntou-se à família em 1986. Nesse mesmo ano, o Barclays Merchant Bank fundiu-se com um parceiro para iniciar operações formais de banca de investimento. A prática cresceu. Em 1990, adquiriram a Merck, Finck & Co. da Alemanha. L’Européenne de Banque da França. Este último tinha laços com Rothschild.

A década de 1990 foi dura. Dívida inadimplente. Mudanças de gestão. A Guerra do Golfo Pérsico. Uma profunda recessão económica. O banco teve dificuldades.

Teve que recuar. O Barclays saiu do banco de varejo dos EUA a partir de 1992. Vendeu filiais. Ativos. Empresas de empréstimos. Operações hipotecárias. Ele recuou.

A economia se recuperou. O Barclays também. Em 1995, adquiriu a Wells Fargo Nikko Investment Advisors. Isto reforçou a sua presença na Ásia-Pacífico.

A crise dos anos 2000 e o pivô digital

O novo milênio trouxe mais crescimento. Em 2000, o Barclays adquiriu Woolwich. Um banco hipotecário do Reino Unido. Impulsionou os empréstimos internos.

Então 2008 chegou. A crise financeira. O Barclays ganhou as manchetes ao comprar as operações norte-americanas do Lehman Brothers. Não foram necessários fundos de resgate do governo. Em vez disso, levantou 7,3 mil milhões de libras junto de investidores do Médio Oriente. Isso equivale a US$ 12,1 bilhões. Uma grande aposta.

Enquanto a crise se aproximava, o Barclays já estava ansioso. O início dos anos 2000 viu um impulso proativo para o digital. O banco online foi lançado antecipadamente. Seguiu-se um aplicativo móvel. Pagamentos sem contato. Um programa de alfabetização digital. O banco estava construindo sua pegada digital enquanto outros ainda descobriam os registros em papel.

Anos recentes: reorientação e desinvestimento

Desde meados da década de 2010, a estratégia mudou novamente. O foco aumentou. Os mercados do Reino Unido e dos EUA receberam mais atenção.

Em 2016, o Barclays se desfez do Barclays Africa Group. Retirou-se de outras regiões internacionais. A tendência continuou. O banco está se livrando da complexidade.

A reestruturação de 2024 é o passo mais recente. Cinco divisões. Um caminho mais claro. O objetivo é o equilíbrio.

Para onde vai o banco a partir daqui? O banco de consumo dos EUA continua a ser um pilar fundamental. Mas a estratégia mais ampla diz respeito à consolidação. Eficiência. Gestão de riscos. As raízes do ourives já se foram. As raízes do computador são profundas. O legado do ATM é histórico. Mas a próxima fase é sobre a sobrevivência através da simplicidade.

O mercado não recompensa a complexidade. Recompensa a clareza. O Barclays está tentando descobrir isso. Se isso vai durar, ainda não se sabe.

O custo de fazer negócios

O Barclays não tem uma ficha limpa. Tem um livro cheio de tinta vermelha.

A história do banco está repleta de escândalos. Algumas são notícias antigas. Alguns ainda estão sangrando.

Veja o escândalo da LIBOR. Bateu forte. Em 2012, os reguladores multaram o Barclays em £ 290 milhões. Isso é cerca de US$ 450 milhões hoje. A acusação? Manipulando a Taxa Interbancária Oferecida de Londres. Não foi apenas o Barclays. Mas o Barclays estava no centro do ringue. LIBOR não é apenas um número. É a referência para triliões em dívida global. Mexa com isso e você mexerá com os alicerces das finanças modernas.

Depois vieram as taxas.

Em 2017, o Serious Fraud Office (SFO) do Reino Unido atacou novamente o Barclays. Desta vez, a alegação foi mais sombria. Eles alegaram que os executivos canalizaram £ 322 milhões em taxas secretas para investidores do Catar. Por que? Para garantir financiamento durante a crise de 2008. O SFO disse que era uma assistência financeira inadequada. Era uma ponte longe demais.

Mas aqui está a reviravolta.

Os executivos foram inocentados.

As acusações não pegaram. No entanto, a mancha permaneceu.

Não terminou aí. Também em 2017, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) aplicou ao Barclays uma multa de 97 milhões de dólares. A razão? Superfaturamento de clientes. Os clientes individuais pagaram quase US$ 50 milhões a mais. Matemática simples. Livro razão errado.

E então houve Jes Staley.

Em 2021, o CEO deixou o cargo. Não por um trimestre ruim. Por suas ligações com Jeffrey Epstein. O agressor sexual condenado. A conexão foi suficiente. A diretoria não esperou. Staley estava fora.

Os boicotes vieram depois.

Em 2024, ativistas pró-palestinos atacaram o Barclays. Eles não apenas twittaram. Eles fecharam contas. Eles protestaram contra o financiamento bancário de empresas de armas ligadas a Israel. Parecia familiar. Ecoou os boicotes anti-apartheid das décadas de 1970 e 1980. O banco lembra. O público lembra.

Apostando em um Futuro Verde

Então, para onde vai um banco com tanta bagagem a partir daqui?

O Barclays está dobrando.

Não apenas nos lucros. De propósito.

Eles estão apostando em um futuro mais verde. E eles estão colocando dinheiro onde está a boca.

Em 2020, o Barclays comprometeu-se a tornar-se um banco com emissões líquidas zero até 2050. Faltam dez anos para isso. É muito tempo no setor bancário. As políticas mudam. Os CEOs vão embora. Mudança dos mercados. Mas o compromisso está aí.

Eles não estão apenas conversando. Eles estão agindo.

A partir de 2024, o Barclays deixou de financiar novos projetos upstream de petróleo e gás. Eles cortaram o financiamento para infraestruturas relacionadas. Existem advertências. Alguns negócios escapam. Mas a direção é clara. Não há mais óleo novo.

Eles também estão gastando seu próprio capital. Até £ 500 milhões. São US$ 675 milhões. Até 2028, o Barclays pretende investir esse mesmo valor em empresas de tecnologia climática. Não empréstimos. Investimentos. Apostando na próxima grande novidade em energia.

E eles querem movimentar muito dinheiro.

O Barclays afirma que mobilizará 1 bilião de dólares em financiamento até ao final de 2030. O objetivo? Para financiar a transição energética.

Isso vai acontecer?

Talvez. Talvez não.

Ideias com visão de futuro são arriscadas. A inovação é cara. Mas foi isso que fez do Barclays um player global. Raízes profundas no sistema bancário britânico. Aquisições estratégicas. Navegando em pesadelos regulatórios.

As controvérsias não destruíram o Barclays. Eles forçaram-no a se adaptar.

Os compromissos verdes não resolverão tudo. Eles não apagarão as multas da LIBOR. Ou a conexão Epstein. Mas mostram um banco tentando reescrever a sua própria história.

A questão não é se o Barclays pode mudar.

É se o dinheiro vier.