A nacionalização ocorre quando o estado intervém e assume o controle ou a propriedade da propriedade privada. É uma manobra jurídica distinta, que não deve ser confundida com expropriação ou domínio eminente. Embora o domínio eminente permita aos governos confiscar terras para obras públicas, como estradas ou hospitais, muitas vezes com pouca ou nenhuma compensação, a nacionalização visa empresas inteiras. O motivo aqui é mais amplo: transferir uma indústria das mãos privadas para o controlo público.

Historicamente, este é um fenômeno relativamente moderno. Os quadros jurídicos em torno dele evoluíram significativamente. Hoje, a compensação por activos nacionalizados não é uma questão de graça, mas de lei. A Carta dos Direitos e Deveres Económicos dos Estados, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 1974, determina uma compensação adequada. Os Estados Unidos reforçam este princípio através da Quinta Emenda, que protege contra a tomada de propriedade privada para uso público sem justa compensação.

Resgates como nacionalização de fato

Nem todas as nacionalizações parecem um decreto governamental. Às vezes isso acontece por meio de dificuldades financeiras. Um resgate é uma forma específica de nacionalização em que o governo assume o controle majoritário temporário de uma empresa falida.

Os acionistas privados ainda poderão existir no papel. Mas os contribuintes tornam-se acionistas por defeito. Seu poder de voto? Muitas vezes insignificante. O estado absorve o risco. A empresa continua a operar, mas agora sob direção estatal. Isto pode acontecer através de transferência de ativos ou aquisição de capital social.

A nacionalização, portanto, pode ocorrer através da transferência dos activos de uma empresa para o Estado ou através da transferência de capital social, deixando a empresa existente para exercer a sua actividade sob controlo estatal.

Algumas indústrias são nacionalizadas pela sua própria natureza. A educação pública nos EUA é um excelente exemplo. É controlado pelo governo em nível estadual. Nenhuma aquisição é necessária porque, em primeiro lugar, nunca foi verdadeiramente privado.

Ideologia e necessidade econômica

A nacionalização muitas vezes anda de mãos dadas com a teoria socialista ou comunista. Pensemos na Rússia depois de 1918, quando as empresas industriais, bancárias e de seguros foram confiscadas pelo Estado. Ou a indústria petrolífera do México em 1938. O Irão seguiu o exemplo em 1951. Cuba nacionalizou empresas estrangeiras em 1960.

Mas nem sempre é ideológico. Em muitas democracias, indústrias como a mineração, a energia, a água, a saúde, os transportes, a polícia e a defesa militar operam a nível nacional ou municipal. Os contribuintes, através de representantes eleitos, exercem controlo sobre os serviços que a maioria dos cidadãos necessita.

O debate é simples: estas indústrias deveriam ser propriedade de empresas privadas que procuram maximizar o lucro? Ou por governos que pretendem uma prestação de serviços com boa relação custo-eficácia?

Nos países em desenvolvimento, a resposta é muitas vezes pragmática. O controlo estatal temporário ajuda a mitigar a falta de um mercado de capitais. Compensa a oferta insuficiente de empresários nacionais. O objetivo é criar eventualmente um mercado suficientemente competitivo.

Direito Internacional e Proteção ao Investidor

Quando os acionistas são estrangeiros, o direito internacional entra em ação. A diplomacia e a arbitragem garantem uma compensação justa. Os Estados cujos nacionais são grandes investidores estrangeiros dependem cada vez mais de cláusulas de tratados para proteger os seus investimentos.

Desde a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos têm pressionado por tratados que conferem jurisdição compulsória ao Tribunal Internacional de Justiça. Eles também oferecem seguro contra nacionalização, expropriação e confisco. Isto cria uma rede de segurança para o capital transfronteiriço.

As apostas geopolíticas

As consequências da nacionalização são de longo alcance. Podem ser positivos ou negativos, dependendo das motivações do Estado e do impacto nas partes interessadas.

O Canal de Suez conta melhor a história. Pertencente e operado por franceses e britânicos durante 87 anos, foi nacionalizado várias vezes. A Grã-Bretanha assumiu o controle em 1875 e 1882. O Egito nacionalizou-o em 1956.

Essa medida de 1956 desencadeou uma invasão por Israel, França e Reino Unido. O seu objectivo era proteger os seus interesses, especificamente o transporte de petróleo bruto do Golfo Pérsico. O canal continua a ser emblemático das implicações geopolíticas inerentes à nacionalização. É uma ferramenta para afirmar a soberania nacional e geográfica.

Então, onde isso deixa os investidores? Se você detém ações de uma empresa multinacional, o risco não é apenas a volatilidade do mercado. É política. A linha entre um resgate e uma aquisição é mais tênue do que parece. E quando essa linha é ultrapassada, as regras do jogo mudam da noite para o dia.

O debate sobre a propriedade não está resolvido. Nunca será. Enquanto existirem indústrias consideradas essenciais, o Estado manterá um pé na porta. Se o pé abre mais ou fecha com um chute depende de quem está segurando a guia.