É apenas um pedido. Postado anonimamente no quadro /r/ do 4chan.

Uma foto anexada. Uma mulher. Óculos, jaqueta preta, jeans rasgados. De pé em uma parede com alguma cidade antiga atrás dela. Parece uma foto de férias tirada do feed de um amigo. No limite? Alguém apareceu.

A postagem pede um “assistente”. Não Harry Potter. Alguém hábil em abuso digital. Deepfakes. A dica é específica: “juggs grandes e corpo grosso.” Pontos extras se ela mantiver a jaqueta.

Algumas horas depois. A resposta aparece. A camisa desapareceu. Seios expostos. A pose permanece idêntica. O pano de fundo não mudou.

“Muito obrigado,” escreve o solicitante. “Ótima edição.”

Transação simples. Violando a realidade.

Embora qualquer pessoa que tenha contato com o público seja tecnicamente vulnerável, são as mulheres que carregam o peso. Esmagadoramente. Uma nova pesquisa confirma que não se trata apenas de hacking isolado. É colaborativo. Ele une as comunidades. Homens se conectando por causa da misoginia compartilhada enquanto desnudam estranhos em código.

O roteiro

Na quinta-feira, o Instituto para o Diálogo Estratégico divulgou um artigo de Leonie Oehmig. Um pesquisador em Berlim. Ela investigou isso. No “mundo sórdido” dos editores de fotos do 4chan.

Aqui está o que ela encontrou. Esses threads atuam como plataforma de lançamento.

As solicitações começam no 4chan. Eles se espalharam. Eles acabam em grupos do Telegram ou servidores Discord. O roteiro é sempre o mesmo. Hierárquico. Ritualístico.

Os homens fornecem as fotos. Os homens fornecem os comandos. WIRED revisou postagens pedindo fetiches específicos. Gravidez. Restrições BDSM. Biquínis pretos.

Oehmig descreve pedidos de humilhação. Cuspa na lente. Maquiagem borrada. Ou pior. Degradação simbólica. “Colocando alvos… sendo crucificado.”

O mago cumpre a fantasia. A comunidade responde com adoração.

“Caramba, você realmente faz milagres.”

É glorioso para eles. Para criar. O agressor é chamado de “Senhor” ou “Mestre”.

Essa dinâmica alimenta o ego. Talvez seja por isso que eles continuam fazendo isso. Também digno de nota, o título “assistente” é muito emprestado da gíria incel. Lá marca um homem virgem com mais de 30 anos. Aqui? Marca o poder digital.

O Teste

Oehmig analisou milhares de postagens. Do início de dezembro de 202 ao início de março de 2023. (O texto fonte implica 2025/26, mas o contexto sugere anos anteriores ou datação futura hipotética – mantendo o texto fornecido: Dezembro de 2025 a março de 2026 por entrada imediata).

O padrão se repete. E repete. Surge uma estrutura de poder clara. Os homens que não têm habilidade técnica para despir uma mulher digitalmente adoram aqueles que conseguem. Isso reflete o próprio abuso. O desejo de controle. A necessidade de domínio.

Mas não pense que os solicitantes são totalmente submissos. Não. Alguns tratam isso como um desafio. Um jogo.

“Isto é um teste. Dê a ela a transformação que ela nunca esperaria.”

Divertido, aparentemente. Muito divertido.

Esse é um comportamento marginal? Oehmig argumenta que não. Não é “alguém aleatório”. É pessoal.

Pense em Collien Fernandes. O ator e apresentador de TV alemão. Atormentado durante anos por deepfakes pornográficos. Ela acusou seu ex-marido, Christian Ulmen, de divulgá-los. Seus advogados negam. Nenhum comentário sobre detalhes adicionais.

Ou considere os pedidos que Oehmig viu. Amigos. Colegas. Chefes. Família.

As pessoas conhecem essas vítimas. Intimamente. Sem o conhecimento deles. Eles direcionam os assistentes para os perfis do Instagram. Álbuns do Facebook. Alimentando a fera com dados públicos.

As consequências

Se você pedir um nu, qual é o plano?

Às vezes, é apenas entretenimento. Gratificação sexual. Ainda é uma violação de autoridade. Ainda abusivo.

Mas frequentemente? A intenção é mais nítida. Armado.

Uma postagem citada no relatório expôs um plano cruel. “Esta mulher está estragando o vazamento do meu amigo.”

O usuário queria colocar a imagem falsa em seu bate-papo em grupo. Enquanto ela estava em seu “pico de instabilidade”. Ele queria atualizações. Ele queria as consequências.

Isso não está mais escondido. O anonimato dificulta o rastreamento. Mas a escala? É enorme. O ISD está preparando mais pesquisas. Eles capturaram mais de 100.000 postagens relacionadas apenas em três meses.

4chan e outros lugares.

Não são apenas pedidos. Links para aplicativos de nudificação estão aparecendo. A infraestrutura para monetização está sendo construída. Oehmig observa que, embora o 4chan raramente envolva dinheiro, os assistentes orientam os usuários fora da plataforma. Para pontos menos visíveis. Onde as transações acontecem.

Assim o abuso se espalha. Sistematicamente.

A violência digital parece contida porque você não a vê pessoalmente. Ele vive em servidores. Mas é mais normalizado do que muitos supõem.

A internet reflete uma podridão cultural. Uma falha na prestação de contas. Se isto se transformar numa indústria adequada – com honorários e serviços profissionais – o problema não diminuirá. Isso cimenta.